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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Te Esquecer

Se eu pudesse, será que te apagava? Me pergunto se apagaria de minha existência todo traço de tua passagem. Esqueceria completamente teu nome, meu sentimento e nossa vida.
 Se te fizesse sumir eu apagaria a dor da tua ausência, o sangue de tua traição, me livrando da faca que atravessa minha garganta. A dor abandonaria meus ossos e eu poderia voltar a andar.
Os cinco sentidos voltariam um a um, do mais sutil ao mais denso, me devolvendo o perfume do ar, o toque de uma planta, o som dos pássaros, a beleza das águas e o gosto da vida. Por ultimo sumiria o daltonismo em que tu me deixaste, e eu voltaria a ver o arco-íris.
Mas será que a dor que sinto não é um preço pequeno a pagar pela alegria que me lembro? O sentimento do momento presente passa em um segundo, mas a marca de um sorriso profundo fica gravada para sempre. Será que eu trocaria minhas ricas memórias pelo alivio da dor?
A dor era o lado escuro de uma lua cheia, que iluminou a noite em que eu vivia. Apesar de não vê-la eu sabia que ela estava lá a me espreitar, a se esconder todo dia sob a luz onipresente do Sol. Ela me assusta, mas não me surpreende.
Sem a dor eu deixaria de ser quem eu sou. A dor faz parte da pessoa que sou hoje, e tentar apaga-la seria negar minha própria existência. Covardes seria se amasse o ontem e desejasse o amanha. Se sou o que sou, estou no hoje com o ontem na cabeça e o amanha no olhar. E o meu hoje é dor.
Tua passagem mudou o que sou, e apagando a tua existência apagaria as mudanças em mim, andando para trás em uma via de mao única.  Teria de preencher o vazio das tuas memórias com tecido adiposo que eu retiraria em abundancia de minhas memórias.  Preenchimentos falsos para uma vida vazia é o destino dos que fogem da dor.
Sou o que sou. Sou dor e sou lembrança de sorriso. Não te apago, mas preencho os vazios que tu deixaste com lagrimas, e me afogo neste oceano.





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