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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Eu-Não-Te-Amo-Mais


Eu-não-te-amo-mais
Dói lá dentro
No fundo da alma
E dói demais

Eu-não-te-amo-mais
A culpa é minha
Não precisa me dizer
E dói demais

Eu-não-te-amo-mais
Olhei e vi no chão
Estilhaçado feito cristal meu coração
E dói demais


Eu-não-te-amo-mais
É a dor do abandono
É acordar sozinho de um sonho
E dói demais

Eu-não-te-amo-mais
Fico e luto por ti?
Vou embora e luto por mim?
E dói demais


Eu-não-te-amo-mais
Me faz questionar se um dia
Tu me amou como te amo
E dói demais

Eu-não-te-amo-mais
Mas eu ainda te amo
E sempre vou te amar
E dói demais

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A Te Esperar


Sentado no porto, te vejo partir.
Mais uma das tuas tantas jornadas.
Docemente me beijas, me afaga os cabelos e sussurra ao pé do ouvido que volta logoDiz que me ama e sem olhar para trás parte decididaNos teus lábios, que não posso mais ver, sinto um sorriso, enquanto teus olhos cravam o horizonte
Não mais te vejo, mas sigo ali sentado na companhia da saudade fitando o último ponto que te vi.Não tendo mais o que ver meus olhos se cerram e miro minhas memórias. Te vejo na minha cama na minha cama, que às vezes é nossa, me falando dos campos que vais ver. Me promete que os veremos juntos, mas que não será desta vez, mas em breve.e com toda força do meu ser eu odeio o em breve que sei que nunca verei. Meu ódio é de cada navio que chega no porto, pois não precisas nem mais me avisar, sei que um deles há de te levar para longe de mim.E o ódio da lugar ao medo de que o navio que te leve jamais regresse. Medo maior que não me reconheças em teu retorno, ou que outro ocupe meu lugar. Abro a boca para te falar e te pedir que não vá, mas me apequenas com repreensão.
Abro os olhos já marejados e balanço a cabeça para olhar a minha volta. O mundo caminha apressado em busca do tempo que para mim não passa.
Meus pés se inquietos me convidam a partir, afinal não há ninguém mais ali. E tenho coragem de partir? Partir seria abandonar a tua memória. Ficar ali sentado, mesmo que humilhado e abandonado, não seria provar o meu amor?! O vento e a Maresia castigariam meu rosto, e em teu retorno nas minhas roupas rasgadas e em minha tez imunda verias a prova da minha devoção.
Eu que já fui capitão me vejo esperar como donzela no porto. Me levanto furioso e desafio dois para um duelo sem propósito.
Com gosto de sangue na boca caminho decidido para a primeira garrafa, tudo que busco é anestesiar meu ser. Me agarro em um par de seios para não afundar em minha dor.Escarro em teu nome e brado a tua desgraça. Canto a liberdade das correntes que rompi e sorrio desdentado para mundo.Mas quando a música acaba e as luzes se apagam, dou o último gole e antes que o sol apareça, me ponho a rastejar. Me arrasto até meu posto de vigília, e me ponho novamente a te esperar. Pois apenas quando tu voltar eu voltarei a sorrir.