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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Te Sinto




Te Sinto
Mas é difícil compreender
Não sei bem o que sinto
Só sei que sinto


Tão recente
Mal te conheço
Não sei soletrar teu nome
Mas parece tão perene


Tão rápido
Tu a recém chegaste
Não temos nem uma folhinha
Mas parece tanto tempo


Tão forte
Tu invade o meu dia
Não sai do meu pensamento
Mas parece tão certo


A temperatura muda na tua presença
Tu me esquenta o coração
Me da um frio na barriga
Faz um corpo só estar em duas temperaturas

O ar fica mais leve contigo
Uma pressão alta que me aperta o peito
Uma pressão baixa que me inebria os pensamentos
Chego a sentir que meus pés mal tocam o chão

O luz do dia fica mais clara contigo
Meu mundo se ilumina
As cores ficam mais vibrantesChego a sentir meus olhos mais abertos

O cheiro do mundo fica mais doce contigo
O odor da tua pele penetra minhas narinas
Hipnotizando meu sentido
Chego a senti-lo impregnado no meu ser

O toque da tuas mãos arrepia minha peleUm leve choque cada vez que tu me encosta
Sinto-o Percorrer todo meu corpo
Até que sinto meu correção arrepiar

Tua visão me faz esquecer do mundo
Nada a tua volta existe
Sinto meus olhos colarem a ti
E nada mais me interessa ver

Quando teus lábios encontram os meus
E sinto tua língua roçar na minha
Quero invadir tua boca
Penetrar O teu mundo e o teu ser

Quando tua mão toca a minha
Quero te conduzir e ser conduzido
Entrelaçado a ti
E não mais soltar

Quando teu corpo toca o meu
Quero encostar em ti por inteiroE saber que cada parte tua é minhaAssim como o meu te pertence

E por fim sinto nossos corações entrelaçados
Se tocando e se acariciando
Fazendo com que pássaros e borboletasVoem de um estômago para o outro

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A Padaria





Eu estava caminhando sozinho
A vi
Sorri
Ela sorriu de volta

Perguntei a ela aonde ia
Ia comprar pão
Me pediu para ir junto
Por que não?!

Caminhamos, lado a lado
Ela não dizia nada
Nem eu
Estranhamente sentia-me à conversar calado

Às vezes desatávamos a falar
Às vezes voltávamos a ficar quietos
Ela me olhava e sorria
E eu sorria com os olhos

Chegamos à padaria
Eu ia entrando, mas ela fechou a porta
Desapontado corri para longe
Parei quando achei que não mais aguentaria

De longe a ouvi me chamar 
Será que nunca quis que eu fosse embora?
Mas eu estava muito cansado
Tentando ser cauteloso, voltei devagar

Quando cheguei  ela segurava a porta aberta
Escolhemos uma mesa para a gente
Lhe puxei uma cadeira
Sentamos frente a frente

Ela me disse seu nome
Eu lhe disse o meu
Ela me contou sua historia
Eu tentei lhe contar a minha

Ela falava e mais que ouvia, eu escutava
Eu tentava colocar meu coração nas palavras
Queria assim fazer com que ele a tocasse
Um toque gentil nas dela me encontrava

As palavras saiam de sua boca e vinham me beijar as orelhas
Devolvia-lhe o melhor de mim, acariciando-a à distancia
Nossas palavras flutuando no ar pareciam quase se tocar
E em um balé invisível suas historias e meu passado dançavam

Olhei em volta e 1 mês havia se passado
A padaria havia aberto e fechado
O mundo girava
E não havíamos notado

Não notamos a vida que passava
E os que passaram, levando consigo seus assuntos
Estávamos a sós
Estávamos juntos

Esquecemos de ir embora
Esquecemos do tempo
Esquecemos do mundo
E o mundo se esqueceu de nós

Meus pensamentos estavam enevoados
Seria o vinho?
Estaria eu tão cansado?
Ou seria realmente ela?

Notei que apesar de nu, eu ainda estava de sapatos
Mas eu não tinha nenhum lugar para ir
Sua mão segurava a minha
Mas vi que a outra segurava uma chave

Será que ela queria ir embora?!
Será que ela podia ficar?!
Será que pretendia me levar junto?
 Ou será que queria voltar para o que um dia chamou de casa?!

Mas, voltar para onde?!
Desde que ali entramos eu não tinha mais para onde ir
Pão, vinho e carne eu tinha naquela mesa
Como não temer aquele nervoso tilintar metálico

O barulho das chaves era ensurdecedor
Tampei minhas orelhas para não enlouquecer
Mas protegidas elas não poderiam ser tocadas
E a saudade do seu toque gentil me trazia de volta

Olhando para ela ouvi a música a tocar
Levantei e tomei-a pela mão
https://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gifDançamos com os corpos colados
E nossos lábios se tocaram ao final da canção

3 dias, 3 anos ou apenas 3 segundos nossos corpos estiveram colados
Nunca saberei dizer por quanto tempo pertencemos ao mesmo abraço
A magnitude daquele ato estremeceu nossos corpos
E de uma vez só nossos olhos se abriram

Os olhos abertos se encontraram penetrantes
Por aqueles segundos eternos dissemos tudo que não coube em palavras
As luzes da padaria estavam acesas
E era hora de partir

Ela iria para casa
Eu voltaria a caminhar
Sabíamos que a padaria continuaria ali
E apenas de nós dependeria se voltaríamos

Prometemos voltar para o nosso mundo de nós
Chorei de medo de não voltar a vê-la
Sorri por tê-la visto por inteira

Rezei para voltar a tê-la