Nós, passarinhos
quarta-feira, 10 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Eu-Não-Te-Amo-Mais
Eu-não-te-amo-mais
Dói lá dentro
No fundo da alma
E dói demais
Eu-não-te-amo-mais
A culpa é minha
Não precisa me dizer
E dói demais
Eu-não-te-amo-mais
Olhei e vi no chão
Estilhaçado feito cristal meu coração
E dói demais
Eu-não-te-amo-mais
É a dor do abandono
É acordar sozinho de um sonho
E dói demais
Eu-não-te-amo-mais
Fico e luto por ti?
Vou embora e luto por mim?
E dói demais
Eu-não-te-amo-mais
Me faz questionar se um dia
Tu me amou como te amo
E dói demais
Eu-não-te-amo-mais
Mas eu ainda te amo
E sempre vou te amar
E dói demais
segunda-feira, 25 de maio de 2015
A Te Esperar
Mais uma das tuas tantas jornadas.
Docemente me beijas, me afaga os cabelos e sussurra ao pé do ouvido que volta logoDiz que me ama e sem olhar para trás parte decididaNos teus lábios, que não posso mais ver, sinto um sorriso, enquanto teus olhos cravam o horizonte
Não mais te vejo, mas sigo ali sentado na companhia da saudade fitando o último ponto que te vi.Não tendo mais o que ver meus olhos se cerram e miro minhas memórias. Te vejo na minha cama na minha cama, que às vezes é nossa, me falando dos campos que vais ver. Me promete que os veremos juntos, mas que não será desta vez, mas em breve.e com toda força do meu ser eu odeio o em breve que sei que nunca verei. Meu ódio é de cada navio que chega no porto, pois não precisas nem mais me avisar, sei que um deles há de te levar para longe de mim.E o ódio da lugar ao medo de que o navio que te leve jamais regresse. Medo maior que não me reconheças em teu retorno, ou que outro ocupe meu lugar. Abro a boca para te falar e te pedir que não vá, mas me apequenas com repreensão.
Abro os olhos já marejados e balanço a cabeça para olhar a minha volta. O mundo caminha apressado em busca do tempo que para mim não passa.
Meus pés se inquietos me convidam a partir, afinal não há ninguém mais ali. E tenho coragem de partir? Partir seria abandonar a tua memória. Ficar ali sentado, mesmo que humilhado e abandonado, não seria provar o meu amor?! O vento e a Maresia castigariam meu rosto, e em teu retorno nas minhas roupas rasgadas e em minha tez imunda verias a prova da minha devoção.
Eu que já fui capitão me vejo esperar como donzela no porto. Me levanto furioso e desafio dois para um duelo sem propósito.
Com gosto de sangue na boca caminho decidido para a primeira garrafa, tudo que busco é anestesiar meu ser. Me agarro em um par de seios para não afundar em minha dor.Escarro em teu nome e brado a tua desgraça. Canto a liberdade das correntes que rompi e sorrio desdentado para mundo.Mas quando a música acaba e as luzes se apagam, dou o último gole e antes que o sol apareça, me ponho a rastejar. Me arrasto até meu posto de vigília, e me ponho novamente a te esperar. Pois apenas quando tu voltar eu voltarei a sorrir.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Passarinha
Ahhh passarinha arredia
Te lembras quando pousaste em minha janela?!
Era engraçadEo porque não ias embora mas também não me deixava aproximar
Fiquei a contemplar tua beleza a distância, encantado
Quando comecei a me cansar de apenas te olhar te puseste a cantar e entraste na minha cabeça
Embasbacado me aproximei e deixaste que eu tocasse tua penugem, bem de leve
Deste um passo em minha direção e te aninhaste, com teus pequenos olhos fechados
Fechei os meus e senti o calor da tua presença.
Mas te sobressaltaste e assustada recuou em direção à janela.
Procurei teus olhos camponeses e os vi tomados de pânico.
Olhavas em volta como a pressentir o perigo de um predador ou de aprisionamento
Estiquei a mão a te acariciar para que meu toque te lembrasse que estava tudo bem, mas teu terror só aumentou.
Me olhava como se eu fosse teu algoz, e não mais teu protetor.
Então, Voa passarinha que a janela está aberta
Não existe gaiola e eu jamais tentaria te prender
Botei comida em um potinho para que tu quisesse ficar
Mas se é o mundo que tu desejas, voa
Vou te ver partir sorrindo com lágrimas nos olhos
E se um dia te cansares das vastas paisagens e quiseres um ninho, volta
Talvez a porta esteja aberta a te esperar
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Te Sinto
Te Sinto
Mas é difícil compreender
Não sei bem o que sinto
Só sei que sinto
Tão recente
Mal te conheço
Não sei soletrar teu nome
Mas parece tão perene
Tão rápido
Tu a recém chegaste
Não temos nem uma folhinha
Mas parece tanto tempo
Tão forte
Tu invade o meu dia
Não sai do meu pensamento
Mas parece tão certo
A temperatura muda na tua presença
Tu me esquenta o coração
Me da um frio na barriga
Faz um corpo só estar em duas temperaturas
O ar fica mais leve contigo
Uma pressão alta que me aperta o peito
Uma pressão baixa que me inebria os pensamentos
Chego a sentir que meus pés mal tocam o chão
O luz do dia fica mais clara contigo
Meu mundo se ilumina
As cores ficam mais vibrantesChego a sentir meus olhos mais abertos
O cheiro do mundo fica mais doce contigo
O odor da tua pele penetra minhas narinas
Hipnotizando meu sentido
Chego a senti-lo impregnado no meu ser
O toque da tuas mãos arrepia minha peleUm leve choque cada vez que tu me encosta
Sinto-o Percorrer todo meu corpo
Até que sinto meu correção arrepiar
Tua visão me faz esquecer do mundo
Nada a tua volta existe
Sinto meus olhos colarem a ti
E nada mais me interessa ver
Quando teus lábios encontram os meus
E sinto tua língua roçar na minha
Quero invadir tua boca
Penetrar O teu mundo e o teu ser
Quando tua mão toca a minha
Quero te conduzir e ser conduzido
Entrelaçado a ti
E não mais soltar
Quando teu corpo toca o meu
Quero encostar em ti por inteiroE saber que cada parte tua é minhaAssim como o meu te pertence
E por fim sinto nossos corações entrelaçados
Se tocando e se acariciando
Fazendo com que pássaros e borboletasVoem de um estômago para o outro
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
A Padaria
Eu estava caminhando sozinho
A vi
Sorri
Ela sorriu de volta
Perguntei a ela aonde ia
Ia comprar pão
Me pediu para ir junto
Por que não?!
Caminhamos, lado a lado
Ela não dizia nada
Nem eu
Estranhamente sentia-me à conversar calado
Às vezes desatávamos a falar
Às vezes voltávamos a ficar quietos
Ela me olhava e sorria
E eu sorria com os olhos
Chegamos à padaria
Eu ia entrando, mas ela fechou a porta
Desapontado corri para longe
Parei quando achei que não mais aguentaria
De longe a ouvi me chamar
Será que nunca quis que eu fosse embora?
Mas eu estava muito cansado
Tentando ser cauteloso, voltei devagar
Quando cheguei ela segurava a porta aberta
Escolhemos uma mesa para a gente
Lhe puxei uma cadeira
Sentamos frente a frente
Ela me disse seu nome
Eu lhe disse o meu
Ela me contou sua historia
Eu tentei lhe contar a minha
Ela falava e mais que ouvia, eu escutava
Eu tentava colocar meu coração nas palavras
Queria assim fazer com que ele a tocasse
Um toque gentil nas dela me encontrava
As palavras saiam de sua boca e vinham me beijar as
orelhas
Devolvia-lhe o melhor de mim, acariciando-a à distancia
Nossas palavras flutuando no ar pareciam quase se tocar
E em um balé invisível suas historias e meu passado
dançavam
Olhei em volta e 1 mês havia se passado
A padaria havia aberto e fechado
O mundo girava
E não havíamos notado
Não notamos a vida que passava
E os que passaram, levando consigo seus assuntos
Estávamos a sós
Estávamos juntos
Esquecemos de ir embora
Esquecemos do tempo
Esquecemos do mundo
E o mundo se esqueceu de nós
Meus pensamentos estavam enevoados
Seria o vinho?
Estaria eu tão cansado?
Ou seria realmente ela?
Notei que apesar de nu, eu ainda estava de sapatos
Mas eu não tinha nenhum lugar para ir
Sua mão segurava a minha
Mas vi que a outra segurava uma chave
Será que ela queria ir embora?!
Será que ela podia ficar?!
Será que pretendia me levar junto?
Ou será que queria voltar para o que um dia chamou
de casa?!
Mas, voltar para onde?!
Desde que ali entramos eu não tinha mais para onde ir
Pão, vinho e carne eu tinha naquela mesa
Como não temer aquele nervoso tilintar metálico
O barulho das chaves era ensurdecedor
Tampei minhas orelhas para não enlouquecer
Mas protegidas elas não poderiam ser tocadas
E a saudade do seu toque gentil me trazia de volta
Olhando para ela ouvi a música a tocar
Levantei e tomei-a pela mão
E nossos lábios se tocaram ao final da canção
3 dias, 3 anos ou apenas 3 segundos nossos corpos
estiveram colados
Nunca saberei dizer por quanto tempo pertencemos ao mesmo
abraço
A magnitude daquele ato estremeceu nossos corpos
E de uma vez só nossos olhos se abriram
Os olhos abertos se encontraram penetrantes
Por aqueles segundos eternos dissemos tudo que não coube
em palavras
As luzes da padaria estavam acesas
E era hora de partir
Ela iria para casa
Eu voltaria a caminhar
Sabíamos que a padaria continuaria ali
E apenas de nós dependeria se voltaríamos
Prometemos voltar para o nosso mundo de nós
Chorei de medo de não voltar a vê-la
Sorri por tê-la visto por inteira
Rezei para voltar a tê-la
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