O som da corrente é a musica que harmoniza o teu
dizer.
O rio toca a musica do atrito da água com seus obstáculos,
com o fundo que é o chão de sua vida, com as pedras que insistem em ficar no
seu caminho e enquanto pode ela desvia, mas se precisar carrega com ela para
poder passar.
As palavras nascem nas profundezas do teu ser, e vem brindar
o mundo através da tua boca entreaberta.
Teus lábios e tua língua se movem a ditar a
intensidade da corrente.
Como as águas que descem da nascente elas se multiplicam em
um crescimento eterno.
A fluidez com que
encontram o mundo é natural e continua, como se não houvesse outra opção se não
correrem ao seu destino.
Correm naturalmente sem força, inundam o ar a tua volta e me
encontram.
Desembocam em meus ouvidos e por ali permeiam meu ser.
Sinto tuas
palavras correndo dentro de mim, encontrando seu caminho.
Na natureza descendente, elas preenchem minha cabeça me
inundando de pensamentos.
Os olhos que triste por não estar em seu leito são respingados,
abençoados assim com algumas gotas que não me atrevo a derramar.
A garganta é o duto natural da corrente das tuas palavras ,
que ao passar me fazem reagir e deixando um nó em seu caminho.
Quando encontram, meu peito, ele se estufa em um agitamento
novo me fazendo arfar.
A temperatura natural da água corrente me gela a espinha,
fazendo meu corpo estremecer.
Logo depois um frio na barriga gerando um calor natural no corpo todo.
O calor é do sangue que impulsionado pela água das tuas
palavras, tambem corre encontrando seu destino.
Me sinto mergulhado em ti, coberto pelas tuas palavras, inundado pelo teu
ser.
Mais do que tudo flutuo, entendendo assim o que significa caminhar sobre as águas.
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