Eu estava caminhando sozinho
A vi
Sorri
Ela sorriu de volta
Perguntei a ela aonde ia
Ia comprar pão
Me pediu para ir junto
Por que não?!
Caminhamos, lado a lado
Ela não dizia nada
Nem eu
Estranhamente sentia-me à conversar calado
Às vezes desatávamos a falar
Às vezes voltávamos a ficar quietos
Ela me olhava e sorria
E eu sorria com os olhos
Chegamos à padaria
Eu ia entrando, mas ela fechou a porta
Desapontado corri para longe
Parei quando achei que não mais aguentaria
De longe a ouvi me chamar
Será que nunca quis que eu fosse embora?
Mas eu estava muito cansado
Tentando ser cauteloso, voltei devagar
Quando cheguei ela segurava a porta aberta
Escolhemos uma mesa para a gente
Lhe puxei uma cadeira
Sentamos frente a frente
Ela me disse seu nome
Eu lhe disse o meu
Ela me contou sua historia
Eu tentei lhe contar a minha
Ela falava e mais que ouvia, eu escutava
Eu tentava colocar meu coração nas palavras
Queria assim fazer com que ele a tocasse
Um toque gentil nas dela me encontrava
As palavras saiam de sua boca e vinham me beijar as
orelhas
Devolvia-lhe o melhor de mim, acariciando-a à distancia
Nossas palavras flutuando no ar pareciam quase se tocar
E em um balé invisível suas historias e meu passado
dançavam
Olhei em volta e 1 mês havia se passado
A padaria havia aberto e fechado
O mundo girava
E não havíamos notado
Não notamos a vida que passava
E os que passaram, levando consigo seus assuntos
Estávamos a sós
Estávamos juntos
Esquecemos de ir embora
Esquecemos do tempo
Esquecemos do mundo
E o mundo se esqueceu de nós
Meus pensamentos estavam enevoados
Seria o vinho?
Estaria eu tão cansado?
Ou seria realmente ela?
Notei que apesar de nu, eu ainda estava de sapatos
Mas eu não tinha nenhum lugar para ir
Sua mão segurava a minha
Mas vi que a outra segurava uma chave
Será que ela queria ir embora?!
Será que ela podia ficar?!
Será que pretendia me levar junto?
Ou será que queria voltar para o que um dia chamou
de casa?!
Mas, voltar para onde?!
Desde que ali entramos eu não tinha mais para onde ir
Pão, vinho e carne eu tinha naquela mesa
Como não temer aquele nervoso tilintar metálico
O barulho das chaves era ensurdecedor
Tampei minhas orelhas para não enlouquecer
Mas protegidas elas não poderiam ser tocadas
E a saudade do seu toque gentil me trazia de volta
Olhando para ela ouvi a música a tocar
Levantei e tomei-a pela mão
E nossos lábios se tocaram ao final da canção
3 dias, 3 anos ou apenas 3 segundos nossos corpos
estiveram colados
Nunca saberei dizer por quanto tempo pertencemos ao mesmo
abraço
A magnitude daquele ato estremeceu nossos corpos
E de uma vez só nossos olhos se abriram
Os olhos abertos se encontraram penetrantes
Por aqueles segundos eternos dissemos tudo que não coube
em palavras
As luzes da padaria estavam acesas
E era hora de partir
Ela iria para casa
Eu voltaria a caminhar
Sabíamos que a padaria continuaria ali
E apenas de nós dependeria se voltaríamos
Prometemos voltar para o nosso mundo de nós
Chorei de medo de não voltar a vê-la
Sorri por tê-la visto por inteira
Rezei para voltar a tê-la

Nenhum comentário:
Postar um comentário